Em julho deste ano, a cidade do Rio de Janeiro recebeu a 15ª edição dos Jogos Pan-americanos e tenho orgulho em ter participado desse grande marco, que foi considerado o maior evento esportivo já ocorrido no Brasil e que serviu como ponto de partida para, eventualmente, recebermos outra vez uma Copa do Mundo e a tão sonhada possibilidade de sediar uma Olimpíada (talvez em 2016).O Pan para eu começou bem antes do dia 13 de julho, data na qual a pira Pan-americana foi acesa no maior estádio do Brasil, o Maracanã. A minha trajetória começou em setembro de 2006, quando fiz minha inscrição para trabalhar como voluntário no Pan. De lá até os Jogos, tive que ir ao Rio cerca de quatro vezes, sendo que muitas delas saindo à noite da rodoviária de São Paulo (Tietê) e retornando para a capital paulista no outro dia. (Parecia aquelas viagens “bate-volta” para Praia Grande ou Santos). Fiz muitos amigos por lá, mas não necessariamente de lá (Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo, e, é claro, do Rio de Janeiro).
Trabalhei como repórter voluntário nas competições de triatlo e maratona aquática (na Arena Posto6, em Copacabana), vôlei de praia (Arena de Copacabana) e boliche (Barra Bowling, que ficava dentro de um shopping). Aliás, essa pista de boliche foi muito criticada pelo competidor mexicano e medalha de prata no masculino individual Daniel FALCONI. Para ele, a pista era “velha e muito gasta para uma competição como o Pan-americano” e ficou mais revoltado ao saber que foi feita uma pista “0 Km” especialmente para os Jogos, mas não foi usada por questões políticas.
Outro fato muito criticado foi referente aos lanches oferecidos aos voluntários (um sanduíche, um suco, uma fruta, uma maionese, um pacote pequeno de biscoito, uma barra de cereal, um bolinho e um guardanapo), o que fez muitos desistirem de colaborem nos Jogos. Para muitos que trabalhavam cerca de 14 horas (não foi meu caso, pois trabalhava em geral seis) essa era a única refeição do dia, pois não era permitida a entrada com alimentos nas áreas de competição.
De acordo com meu amigo Régis Augusto, que está no Canadá, a imprensa daquele país foi dura com relação às instalações (principalmente a Cidade do Rock, onde teve as partidas de baseball e softball (baseball para mulheres)) e a organização. Dou total razão para eles na questão dos campos de baseball, pois foram feitos na última hora e não tinham um sistema apropriado de drenagem. Sem falar da cobertura das arquibancadas e tribunas, que saíram voando (literalmente) por duas vezes e ocasionou o adiamento das provas.
Mas não só de tragédias viveu o Pan do Rio/Brasil. A Arena de Copacabana (instalação provisória), por exemplo, foi mais que elogiada, sendo que as Olimpíadas de Pequim 2008 poderá utilizar mão de obra brasileira para a construção da arena deles. O Engenhão, que não tive a oportunidade de entrar, é de longe o melhor estádio brasileiro. Sem falar do Complexo do Autódromo, composto pelo Parque Aquático Municipal Maria Lenk, Arena Multiesportiva e Velódromo. Deles, posso dizer que quando entrei pensei que tinha me teletransportado para algum complexo esportivo europeu.Dentre as coisas boas do Pan não podemos esquecer das torcidas que vieram de todas as partes das Américas e que fizeram um show a parte (impressionante a “ola em câmera-lenta”, que causou um efeito extraordinário nas arquibancadas). O Rio parecia uma cidade de todos os povos, com diversos sotaques (uai, tche, pô meu, oxente, Vaxxco) e línguas (para perguntar as horas, tínhamos que falar em três idiomas (risos)).
No período do Pan também foi observada a queda da violência no Rio. Havia dias que eu saía dos jogos à 1h da manhã, chegava no apartamento às 4hs e em quase todas as ruas tinha, pelo menos, uma viatura policial. A população e os turistas se sentiam seguros no Rio, algo que o esporte proporcionou à cidade.
Critiquei muito o Pan antes do início ( http://programametogol.blogspot.com/2006/12/pan-rio-2007-x-copa-do-mundo-brasil.html ), e agora posso dizer que podemos sediar, sim, algo maior, pois o primeiro passo já foi dado. A organização deve ter aprendido com os erros que aconteceram nos Jogos e agora tem a idéia de um evento de grandes proporções. Agora só basta esperar e torcer.
Que venha a Copa, que venha as Olimpíadas.
Por Eliezer dos Santos, de S. Paulo (SP)
